Região tem três assassinatos sem solução; sindicato aponta falta de policiais civis

Famílias esperam esclarecimento e punição em Araras, Américo e Pirassununga. Presidente do Sinpol diz que seria necessário quase dobrar quantidade de policiais civis para melhorar investigações.

Publicado em 4/23/18, 9:44 PM

Região tem três assassinatos sem solução; sindicato aponta falta de policiais civis

Três homicídios ocorridos em Araras, Pirassununga e Américo Brasiliense (SP) continuam sem solução. As famílias esperam esclarecimento e punição dos responsáveis há anos, mas a Polícia Civil ainda continua as investigações.

Para presidente regional do Sindicato dos Policiais Civil (Sinpol), Aparecido Lima de Carvalho, faltam policiais e o ideal seria quase dobrar quantidade de policiais civis para que as investigações tenham mais qualidade.

5 anos de espera

A estudante Beatriz Silva, de 13 anos, sonhava com a festa de 15 anos que nunca aconteceu. Ela foi assassinada em abril de 2013 quando saiu de casa para ir ao cabeleireiro.

O corpo foi encontrado no mesmo dia em um canavial em Araras, com sinais de perfuração. Os pais ainda continuam sem saber quem cometeu o crime e o motivo.

“Estou desanimado e desapontado. Parece que foi mais um número. Faz muito tempo que não vou à delegacia, a resposta é sempre a mesma, só falam que estão investigando”

Para família, a sensação é de impunidade, mas ainda há esperança de que um dia o culpado seja identificado.

O delegado de Araras, Edgar Albanez, responsável pelo caso, informou que o crime deve ser esclarecido em breve e que novas provas estão surgindo. Ele diz estar trabalhando com três linhas de investigação.

Falta de policiais para investigações

De acordo com dados oficiais da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, somente 6% dos homicídios dolosos, aqueles com intenção de matar, são solucionados no país.

O presidente do Sinpol, que é investigador aposentado, reconhece que alguns crimes são difíceis de esclarecer, principalmente quando não há testemunhas. Por isso o trabalho da perícia se torna ainda mais importante.

“Naquele campo estariam possíveis provas para o esclarecimento cabal do crime. Seja uma digital, um excremento, um fio de cabelo, uma pegada, então é fundamental que se preserve o local do crime”, afirmou.

Apesar disso, muitas vezes a cena do crime é alterada por pessoas curiosas, familiares e os próprios policiais que chegam pra atender a ocorrência. Cada vez que alguém se aproxima, deixa novas marcas que vão dificultar o trabalho dos peritos e pistas importantes são perdidas.

Sem contar que faltam policiais especializados nesse tipo de trabalho. Para o sindicato, seriam necessários pelo menos 600 peritos a mais no estado. A falta de profissionais é em todos os níveis, segundo Carvalho.

 A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) informou que 250 novo peritos criminais, treinados na academia, começam a trabalhar nos próximos dias em todo o estado. Disse ainda que, no final do ano passado, foram empossados 1.240 policiais civis e que foi autorizado concurso público para 2.750 policiais.

Outros casos sem solução

Em Américo Brasiliense, o comerciante Alessandro Iamada, de 38 anos, foi encontrado morto dentro de um carro depois de uma denúncia anônima, em julho de 2016. Quase dois anos depois, ninguém foi preso e a polícia continua investigando.

Em Pirassununga, o assassinato de Flávia Rodrigues, de 23 anos, também continua sem solução. Ela desapareceu depois de sair de casa, em junho do ano passado. O corpo só foi encontrado 44 dias depois na zona rural.

FONTE SITE G1

 
 

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